domingo, 21 de agosto de 2011

Era uma vez uma menina meio desligada...

Oi, avoados!

Estou tentando montar as peças do quebra-cabeças que justificariam o diagnóstico de TDA pra mim. Já reparei que muitos TDA's fazem isso em seus blogs e é bacana porque ajuda outras pessoas a identificarem possíveis TDA's em seu convívio e procurar ajuda. Sem falar que clareia as coisas na nossa mente, né?

Enfim, eu juro pra vocês que eu tentei enxugar o texto, fazer uma coisa concisa, mas TUDO PARECE RELEVANTE!

Então, eu peço a compreensão de vocês pro tamanho do texto. Please, não desistam de mim ainda! Hahahaha!

Lá vai.


O TDAH não pode ser adquirido na fase adulta. Quem é TDAH, nasce TDAH. A propensão ao distúrbio depende de fatores genéticos, ocorre devido a um desequilíbrio neuroquímico no cérebro, mas ainda não vi ninguém explicando por que ocorre esse desequilíbrio. Estudos recentes mostram inclusive que o mesmo gene que enseja a propensão ao autismo também causa propensão ao TDA.

Eu nasci no seio de uma família bem “normal” e não sei dizer se meu pai ou minha mãe, ou até mesmo os dois são TDAH (grande suspeita, viu?), mas não existia a mínima suspeita de que eu tivesse qualquer problema. Muito pelo contrário, até uma certa idade acreditou-se que eu era uma espécie de super-dotada, por ter me auto-alfabetizado aos seis anos durante as férias de verão.

Ocorre que nas meninas o TDA geralmente se manifesta no tipo Desatento. Meninas TDA são mais quietinhas, obedientes, sonhadoras e passam boa parte do tempo divagando em estórias. Como o TDA é muito relacionado com a hiperatividade, esse tipo de criança desatenta, sonhadora e distraída acaba ficando sem diagnóstico. (Oi!) *Não consegui não fazer esse comentário => Sem falar que na minha época esse negócio de hiperatividade era pura frescura!
Até os oito anos de idade, eu já tinha escrito dois “livros”, textos esparsos de estórias que eu tinha criado, e até encenava sozinha em casa, interpretando todos os personagens ao mesmo tempo, e já apresentava problemas com matemática e falta de atenção em alguns ditados.

Cansei de tomar esporro dos meus professores, porque errava a questão tal por “pura falta de atenção”, durante toda a minha infância e adolescência.

Meu comportamento na escola beirava o agressivo. Vivia brigando com os moleques no recreio e meu passatempo favorito era bater nos que ficavam me provocando. Pra piorar, sempre fui gordinha e ainda tinha esse estigma em cima de mim, além de ser a CDF. Mais um motivo pra pequenas perseguições, que hoje provavelmente seriam classificadas como bullying. Minhas brigas na escola causaram a suspensão de pelo menos uns dois valentões, que me acusavam de ser protegida dos professores. Hum, devia ser porque eu era boazinha apesar de tudo, e porque eu tinha 8 anos e eles uns 14...( raivinha nostálgica rolando agora, um minutinho! hahaha)

Enfim, meu comportamento impulsivo me rendeu algumas visitas a diretoria, minha mãe teve que ir algumas vezes na escola porque às vezes eu falava demais na sala de aula. Eu me relacionava bem com a maioria dos colegas na infância, era comunicativa, extrovertida mas divagava demais. Isso tudo me faz crer que sou um tipo misto de TDA Desatento com Hiperativo.

Na primeira semana de aula no jardim de infância, em uma escola de freiras – eu sei, dei uma puta viajada no tempo mas a minha cabeça faz isso o tempo todo, gente, é inevitável! Argh! - fui suspensa porque mandei SÓ a professora/freira tomar no cu. Legal, né?

Acho que eu não tinha maldade no que eu falava, mas tudo o que eu aprendia, imediatamente precisava aplicar no meu dia a dia. E isso me rendeu muitos outros problemas, ah rendeu!

A cereja do bolo era a minha organização! Perdia material, emprestava e não lembrava pra quem tinha emprestado, pra depois ficar brava, achando que tinham me roubado! Não encontrava cadernos, cadernetas, livros etc. Esquecia as datas de provas, inclusive as da recuperação! E a partir da 5ª série, recuperação era praxe na minha rotina escolar. So much for “eu tive um futuro promissor”, heim?

Na família, eu era a respondona, mal-criada, ovelha negra. Minha mãe, coitada, ainda era acusada de ser uma mãe muito leniente, olha que injustiça! E além de sempre tomar esporro por causa do meu comportamento, eu ficava com dó da minha mãe, mas não podia evitar minha agressividade. Desafiava a autoridade dos meus pais dia após dia, mesmo que isso apenas me desgastasse emocionalmente e me fizesse sentir afastada da família e por consequência, carente e insegura.

Tudo indicava que a minha adolescência não seria muito tranquila...

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