quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Encarando os inimigos



Meu maior inimigo é meu medo. Meu maior medo sou eu mesma.

E não é porque o meu cérebro funciona diferente do de algumas pessoas, mas porque, por conta disso, passei a acreditar que eu pudesse ser menos capaz do que alguém que não tenha os mesmos obstáculos que eu, e isso é uma bobagem!
Todo mundo tem obstáculos e isso não justifica a derrota. Dificuldade taí pra todo mundo e a nossa obrigação é se superar e evoluir, em todos os sentidos. 

Se a gente encara nossos medos e limitações de frente fica mais fácil superá-los. O vencedor é aquele que conhece bem seu inimigo.



Mas enquanto eu não compreendi essas coisas todas, sofri um bocadinho, viu?

Ultimamente, eu andava numa tristeza de dar dó. O trabalho me cobrava em níveis que eu não podia corresponder. Com dificuldades em delegar tarefas e sofrendo da necessidade extrema de controlar todas as variáveis de todos os problemas - uma característica típica do TDA - acabei me enrolando
e cometendo erros crassos, que prejudicaram meu trabalho.

Sempre fui dedicada, comprometida, organizada e colaborativa - palavras da minha chefe - e receber o golpe de decepcionar meus gestores, meus colegas de trabalho, a mim mesma, me fez entrar na sala da minha terapeuta, que eu já frequentava há 2 anos, ansiosa pra obter um alento, uma resposta, uma explicação que eu não sabia dar pra tanta pisada de bola!Eu simplismente não sabia explicar o que eu tinha feito de errado, como aquilo tinha passado pelos meus olhos sem eu reparar!

Quando descobri que era TDAH, não só soube que minha desatenção tinha uma explicação, mas como ela funcionava. O que faz ela piorar, melhorar, estagnar...

Hoje eu não vivo apesar do TDAH, mas através dele. Não dá pra usar o TDA como desculpa, tem que aprender a usar ele a seu favor.

Meu trabalho é sistemático, metódico e exige muita atenção. Quando eu consigo, hiperfoco na minha tela de computador e passo o dia trabalhando. Mas tem dias que eu preciso levantar e dar um passeio ou dois, pra espairecer e voltar a me concentrar. A gente tem que aceitar nossas limitações. Meus planos envolvem arranjar um novo trabalho, de preferência um em que eu possa criar, escrever, me agitar. A época mais feliz da minha vida foi quando fui estagiária de Direito. Fazia minhas pesquisas, escrevia minhas próprias peças e passava o dia todo correndo de lá pra cá nos fóruns da cidade.

Sou formada em Direito e um dos meus maiores medos é de quando me tornar advogada, perder meus prazos por puro esquecimento ou desorganização! Sei que terei provavelmente um estagiário pra me ajudar, mas isso é responsabilidade do advogado, não do estagiário. 

Por conta desses medos, desenvolvi vários métodos de organização pra driblar meu TDA. É o que a gente acaba fazendo quando acha que é mais desligadinha que os outros! Depois do diagnóstico, a gente usa as ferramentas adequadas: medicação, terapia cognitiva-comportamental, yoga, meditação, alimentação balanceada, exercícios físicos pra exaurir a energia acumulada da hiperatividade.

E depois dos erros que cometi, estou tentando reconstruir minha auto-estima fazendo o que eu sei melhor: trabalhar muito! Não tenho outra alternativa pra limpar minha barra a não ser fazer o meu melhor e demonstrar que posso dar a volta por cima. Às vezes fico meio caidinha, cansada e desanimada, frustrada e deprimida, mas logo me levanto e bato a poeira. Fazer o que, né? Suicídio não pode ser uma opção.

Viver com TDAH é como brincar de bambolê. A gravidade quer puxar seu brinquedo pra baixo, mas com equilíbrio, ginga e jogo de cintura, a brincadeira fica divertida!

Tô me lixando pra gravidade! Meu bambolê continua girando!



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